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A empresa Lego
Por Edmour Saiani
Tenho pensado muito no conceito do Lego. A partir dele, encontramos uma forma muito simples de explicar como se constroem empresas que sabem evoluir. O conceito é simples e bem bacana. Quem tem filhos sabe. Lego é sempre a mesma tentação. O filho vê a caixa na vitrine da loja, adora o brinquedo que está estampado e começa aquela ladainha. Os pais não resistem e compram o brinquedo.
O que impulsiona a criança quase sempre é a foto que está na caixa (seja um castelo, seja um barco, etc.). Mas quando chega o grande momento de abrir o novo brinquedo, o que se encontra? Um monte de peças...
Aí vem o pior. Ou o melhor. Lego não é daqueles brinquedos que você liga, e ele sai andando. Precisa de um esforço para ser montado, para funcionar. Precisa de espírito de equipe. As peças estão ali, mas só vão funcionar se pais e filhos se unirem para chegar à foto da caixa. Dúvida daqui, discordância ali, ao final de um dia está lá montado o castelo ou o barco. Gestão de conflitos conta muito. Todos têm que estar motivados para a montagem. Se um desiste, o jogo não termina. Mas o final geralmente é feliz e nada diferente do que havia na caixa. A imagem que fez todo mundo querer comprar o Lego foi construída, afinal. Ela mobilizou todos.
E não acaba aí. Pode ter certeza: depois de alguns dias, aquela escultura, tão comemorada quando ficou pronta, vai assumir o papel de algo no qual a gente nem repara. Tipo papel de parede. Comemorar, só no dia da montagem. Depois do grande final, a montagem vira um balde de peças jogadas. O balde fica ali, quieto e estático.
De repente, aparece um visionário que pensa em construir algo novo, que olha o tamanho do balde e já pensa no que seria possível fazer com aquilo. E dá-lhe o visionário a convencer todo mundo a ajudar a construir o que está na sua cabeça. Ao contrário de quando se comprou o jogo, e tudo era definido pela foto da caixa. Depois de muito convencimento, uns dois ou três voluntários se engajam, e as peças começam a se encaixar de novo para construir a nova visão. É mais difícil, mas o final é muito mais realizador. Agora usamos as peças para construir algo que sonhamos e que não foi sugerido ou imposto por ninguém.
O que esta história do Lego tem a ver com a sua empresa? Nada do outro mundo. A analogia é que sua empresa sempre foi para quem entrou nela um Lego novo. Colorido, desafiador e com a promessa de que, se fosse construído, geraria muita realização para todos. Todo mundo naquele momento bacana estava empenhado em construir o brinquedo que estava na caixa. A figura da caixa era a visão do seu negócio. As peças, recursos da empresa. Em vez de pais e filhos, pessoas que trabalham juntas e deveriam se gostar. Quanto mais compartilhada a visão, maior a chance de que todos se encaminhem para a construção da empresa que “está na caixa”.
Sua empresa já passou por esse momento? Um sonho coletivo? Lembra-se de quando isso aconteceu? Faz tempo? Se você ainda está nesse momento, ótimo. Senão, você está na outra fase. As peças no balde, jogadas, e as pessoas que cuidariam das peças estão cuidando de si próprias, sem se entender com quem está do lado. As empresas são assim.
Quem na sua empresa tem a energia de olhar o balde de Lego e pensar no que se pode construir com ele? Por que não você?
Edmour Saiani é autor do Livro Loja Viva, palestrante e sócio-diretor da Ponto de Referência. Foi executivo em empresas como Kodak, Johnson e Johnson, Pepsi, Mesbla. É professor do PDG (Marketing, RH, Serviços), ESPM (Marketing de Relacionamento). |
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A empresa Lego
Por Edmour Saiani
Tenho pensado muito no conceito do Lego. A partir dele, encontramos uma forma muito simples de explicar como se constroem empresas que sabem evoluir. O conceito é simples e bem bacana. Quem tem filhos sabe. Lego é sempre a mesma tentação. O filho vê a caixa na vitrine da loja, adora o brinquedo que está estampado e começa aquela ladainha. Os pais não resistem e compram o brinquedo.
O que impulsiona a criança quase sempre é a foto que está na caixa (seja um castelo, seja um barco, etc.). Mas quando chega o grande momento de abrir o novo brinquedo, o que se encontra? Um monte de peças...
Aí vem o pior. Ou o melhor. Lego não é daqueles brinquedos que você liga, e ele sai andando. Precisa de um esforço para ser montado, para funcionar. Precisa de espírito de equipe. As peças estão ali, mas só vão funcionar se pais e filhos se unirem para chegar à foto da caixa. Dúvida daqui, discordância ali, ao final de um dia está lá montado o castelo ou o barco. Gestão de conflitos conta muito. Todos têm que estar motivados para a montagem. Se um desiste, o jogo não termina. Mas o final geralmente é feliz e nada diferente do que havia na caixa. A imagem que fez todo mundo querer comprar o Lego foi construída, afinal. Ela mobilizou todos.
E não acaba aí. Pode ter certeza: depois de alguns dias, aquela escultura, tão comemorada quando ficou pronta, vai assumir o papel de algo no qual a gente nem repara. Tipo papel de parede. Comemorar, só no dia da montagem. Depois do grande final, a montagem vira um balde de peças jogadas. O balde fica ali, quieto e estático.
De repente, aparece um visionário que pensa em construir algo novo, que olha o tamanho do balde e já pensa no que seria possível fazer com aquilo. E dá-lhe o visionário a convencer todo mundo a ajudar a construir o que está na sua cabeça. Ao contrário de quando se comprou o jogo, e tudo era definido pela foto da caixa. Depois de muito convencimento, uns dois ou três voluntários se engajam, e as peças começam a se encaixar de novo para construir a nova visão. É mais difícil, mas o final é muito mais realizador. Agora usamos as peças para construir algo que sonhamos e que não foi sugerido ou imposto por ninguém.
O que esta história do Lego tem a ver com a sua empresa? Nada do outro mundo. A analogia é que sua empresa sempre foi para quem entrou nela um Lego novo. Colorido, desafiador e com a promessa de que, se fosse construído, geraria muita realização para todos. Todo mundo naquele momento bacana estava empenhado em construir o brinquedo que estava na caixa. A figura da caixa era a visão do seu negócio. As peças, recursos da empresa. Em vez de pais e filhos, pessoas que trabalham juntas e deveriam se gostar. Quanto mais compartilhada a visão, maior a chance de que todos se encaminhem para a construção da empresa que “está na caixa”.
Sua empresa já passou por esse momento? Um sonho coletivo? Lembra-se de quando isso aconteceu? Faz tempo? Se você ainda está nesse momento, ótimo. Senão, você está na outra fase. As peças no balde, jogadas, e as pessoas que cuidariam das peças estão cuidando de si próprias, sem se entender com quem está do lado. As empresas são assim.
Quem na sua empresa tem a energia de olhar o balde de Lego e pensar no que se pode construir com ele? Por que não você?
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