Terceira idade ganhará espaço no mercado de consumo
Que produtos ocuparão as gôndolas dos supermercados em 2010? O que compraremos e o que deixaremos de comprar daqui a nove, dez anos? Em busca de respostas a essas perguntas, o Programa de Estudos do Futuro (PROFUTURO/FIA) desenvolveu a pesquisa "Perfil do Consumidor do Futuro", cujos resultados foram divulgados no seminário "Técnicas de Elaboração dos Cenários: uma visão do consumidor do futuro", ocorrido na FEA/USP.

A pesquisa foi realizada por meio da metodologia Delphi, um método de pesquisa qualitativo, baseado na consulta a especialistas. No Delphi, questionários são repassados repetidamente - e anonimamente - até que haja convergência nas respostas. O objetivo é que a cada nova rodada os respondentes revejam suas análises anteriores, baseados nas respostas dos demais especialistas. No caso do perfil do consumidor do futuro, a segmentação das respostas foi obtida com apenas duas rodadas, das quais participaram 42 especialistas (58% deles diretores ou gerentes de empresas).

A diminuição da participação da população jovem na estrutura social brasileira, em contraposição ao aumento do papel da terceira idade no mercado consumidor foram as principais conclusões da pesquisa. Segundo os especialistas, o número de crianças de até nove anos - que hoje representa 32 milhões de brasileiros - cairá cerca de um milhão em 2010. Já os adultos com mais de 50 anos, no mesmo período, passarão de 28 para 42 milhões, o que representa um aumento de 50%. "É um mercado grande que surge, com disposição de consumir produtos específicos e que não pode ser desprezado pelas empresas", afirmou a pesquisadora do Profuturo Renata Giovinazzo, que coordenou a pesquisa.

Essas mudanças na estrutura etária da população brasileira trazem implicações para o mercado, ou seja, podem ser novas oportunidades de negócios. Segundo Renata, ainda que em queda, os jovens continuarão a representar um grande contingente de consumidores (serão 64 milhões em 2010). Além disso, trata-se de um segmento importante, porque é um grupo formador de opinião e que influencia diversos setores do mercado - são atraídos pela modernidade e partem em busca de independência - tais como o de tecnologia, esportes e viagens, educação, moda e alimentos em embalagens individuais. "O foco das empresas não deve ser em ampliação, mas em melhoria da qualidade da educação, serviços de saúde e lazer para a população jovem", declarou a pesquisadora. "É importante que as empresas fidelizem os jovens, porque eles representam valor de consumo ao longo dos anos."

Para os consumidores pertencentes à terceira idade, os investimentos devem se conectar em setores como o de construção civil - mas agregando outros serviços específicos para esse tipo de público -, educação - já que as pessoas trabalharão até uma idade mais avançada e manterão o interesse pela atualização profissional -, turismo e lazer - o que ajudará a resolver o problema da sazonalidade no setor, tendo em vista o maior tempo livre desse tipo de público. O aumento da participação da mulher no mercado de trabalho foi outra tendência apontada pelos especialistas consultados. Como 55% das mulheres estarão empregadas em 2010 - aumento de 12% em relação a 1999 - o poder de compra desse público se equiparará ao dos homens. "A mulher está mais participativa, ganhando espaço nos negócios e na política e se capacitando", disse a pesquisadora. "O mercado também está mais interessado em contratar mulheres porque passa a ser importante para as empresas ter uma maior presença feminina na tomada de decisão, para atuar melhor neste segmento", completa.

A emancipação da mulher causa uma mudança na estrutura familiar que se reflete no mercado. Produtos e serviços com praticidade, que atendam às necessidades de manutenção e organização do lar, serão cada vez mais procurados. Nesse nicho se encaixam áreas como creches e escolas, alimentos congelados e deliveries, mercado imobiliário - oferecendo casas mais funcionais - compras pela Internet e serviços como academia de ginástica, cabeleireiro e lavanderia com horários mais flexíveis.

As tendências levantadas também apontaram uma reestruturação no orçamento familiar. "Ao logo do tempo, as famílias transferiram parte do seu dispêndio com alimentação para outros fins como saúde, educação e cuidados pessoais. Até 2010, esse fenômeno vai se intensificar", comenta Renata. Quanto à educação, o levantamento prevê que a duração média de estudo dos brasileiros deverá passar de 5,6 para 7 anos e o número de chefes de família sem instrução deverá se reduzir de 8% para 5%. Contudo, em 2010, o número de chefes com apenas o primeiro grau ainda será elevado (54%) e metade desse contingente receberá no máximo até cinco salários mínimos.

Esse número indica que o nível de educação está diretamente ligado à renda. Para os especialistas, a distribuição de renda no Brasil não vai mudar radicalmente em dez anos, mas haverá um aumento da faixa de pessoas que recebem até cinco salários mínimos (o segmento representará 72% da população em 2010), o que provocará aumento do poder de compra, principalmente no que diz respeito ao consumo de bens duráveis direcionados às classes populares. "As empresas procuram ter maior lucratividade em detrimento do volume de mercado, mas por que não desenvolver mais produtos e serviços voltados a esse tipo de consumidor?", questiona Renata.
http://www.fundacaofia.com.br/profuturo



O Profuturo/FIA é um programa que visa gerar conhecimento e capacitar organizações para o desenvolvimento de visões futuras, além de planejar ações para o alcance das mesmas. Ele é desenvolvido junto a Fundação Instituto de Administração da FEA/USP.


Terceira idade ganhará espaço no mercado de consumo
Que produtos ocuparão as gôndolas dos supermercados em 2010? O que compraremos e o que deixaremos de comprar daqui a nove, dez anos? Em busca de respostas a essas perguntas, o Programa de Estudos do Futuro (PROFUTURO/FIA) desenvolveu a pesquisa "Perfil do Consumidor do Futuro", cujos resultados foram divulgados no seminário "Técnicas de Elaboração dos Cenários: uma visão do consumidor do futuro", ocorrido na FEA/USP.

A pesquisa foi realizada por meio da metodologia Delphi, um método de pesquisa qualitativo, baseado na consulta a especialistas. No Delphi, questionários são repassados repetidamente - e anonimamente - até que haja convergência nas respostas. O objetivo é que a cada nova rodada os respondentes revejam suas análises anteriores, baseados nas respostas dos demais especialistas. No caso do perfil do consumidor do futuro, a segmentação das respostas foi obtida com apenas duas rodadas, das quais participaram 42 especialistas (58% deles diretores ou gerentes de empresas).

A diminuição da participação da população jovem na estrutura social brasileira, em contraposição ao aumento do papel da terceira idade no mercado consumidor foram as principais conclusões da pesquisa. Segundo os especialistas, o número de crianças de até nove anos - que hoje representa 32 milhões de brasileiros - cairá cerca de um milhão em 2010. Já os adultos com mais de 50 anos, no mesmo período, passarão de 28 para 42 milhões, o que representa um aumento de 50%. "É um mercado grande que surge, com disposição de consumir produtos específicos e que não pode ser desprezado pelas empresas", afirmou a pesquisadora do Profuturo Renata Giovinazzo, que coordenou a pesquisa.

Essas mudanças na estrutura etária da população brasileira trazem implicações para o mercado, ou seja, podem ser novas oportunidades de negócios. Segundo Renata, ainda que em queda, os jovens continuarão a representar um grande contingente de consumidores (serão 64 milhões em 2010). Além disso, trata-se de um segmento importante, porque é um grupo formador de opinião e que influencia diversos setores do mercado - são atraídos pela modernidade e partem em busca de independência - tais como o de tecnologia, esportes e viagens, educação, moda e alimentos em embalagens individuais. "O foco das empresas não deve ser em ampliação, mas em melhoria da qualidade da educação, serviços de saúde e lazer para a população jovem", declarou a pesquisadora. "É importante que as empresas fidelizem os jovens, porque eles representam valor de consumo ao longo dos anos."

Para os consumidores pertencentes à terceira idade, os investimentos devem se conectar em setores como o de construção civil - mas agregando outros serviços específicos para esse tipo de público -, educação - já que as pessoas trabalharão até uma idade mais avançada e manterão o interesse pela atualização profissional -, turismo e lazer - o que ajudará a resolver o problema da sazonalidade no setor, tendo em vista o maior tempo livre desse tipo de público. O aumento da participação da mulher no mercado de trabalho foi outra tendência apontada pelos especialistas consultados. Como 55% das mulheres estarão empregadas em 2010 - aumento de 12% em relação a 1999 - o poder de compra desse público se equiparará ao dos homens. "A mulher está mais participativa, ganhando espaço nos negócios e na política e se capacitando", disse a pesquisadora. "O mercado também está mais interessado em contratar mulheres porque passa a ser importante para as empresas ter uma maior presença feminina na tomada de decisão, para atuar melhor neste segmento", completa.

A emancipação da mulher causa uma mudança na estrutura familiar que se reflete no mercado. Produtos e serviços com praticidade, que atendam às necessidades de manutenção e organização do lar, serão cada vez mais procurados. Nesse nicho se encaixam áreas como creches e escolas, alimentos congelados e deliveries, mercado imobiliário - oferecendo casas mais funcionais - compras pela Internet e serviços como academia de ginástica, cabeleireiro e lavanderia com horários mais flexíveis.

As tendências levantadas também apontaram uma reestruturação no orçamento familiar. "Ao logo do tempo, as famílias transferiram parte do seu dispêndio com alimentação para outros fins como saúde, educação e cuidados pessoais. Até 2010, esse fenômeno vai se intensificar", comenta Renata. Quanto à educação, o levantamento prevê que a duração média de estudo dos brasileiros deverá passar de 5,6 para 7 anos e o número de chefes de família sem instrução deverá se reduzir de 8% para 5%. Contudo, em 2010, o número de chefes com apenas o primeiro grau ainda será elevado (54%) e metade desse contingente receberá no máximo até cinco salários mínimos.

Esse número indica que o nível de educação está diretamente ligado à renda. Para os especialistas, a distribuição de renda no Brasil não vai mudar radicalmente em dez anos, mas haverá um aumento da faixa de pessoas que recebem até cinco salários mínimos (o segmento representará 72% da população em 2010), o que provocará aumento do poder de compra, principalmente no que diz respeito ao consumo de bens duráveis direcionados às classes populares. "As empresas procuram ter maior lucratividade em detrimento do volume de mercado, mas por que não desenvolver mais produtos e serviços voltados a esse tipo de consumidor?", questiona Renata.
http://www.fundacaofia.com.br/profuturo



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