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Poder de mudar o mundo apenas indo às compras
Por Instituto Ikatu
Um artigo publicado no jornal The New York Times, reproduzido pela Folha de S.Paulo, expõe a opinião de alguns cientistas sociais americanos sobre a Wal-Mart, a maior cadeia de varejo americana. Segundo eles, a companhia, em nome de uma política de oferecer produtos a preços baixos, paga baixos salários, oferece poucos benefícios aos seus funcionários e pressiona seus fornecedores a reduzir continuamente custos e preços. Se essa avaliação estiver correta, a rede de supermercados está respondendo a uma demanda de mercado baseada no preço como fator principal, senão único, na escolha de um produto pelo consumidor, desconsiderando outros fatores ligados à responsabilidade social empresarial.
Se empresa de fato faz tudo isso e continua crescendo, com faturamento anual de US$ 256 bilhões e 20 milhões de clientes em todo o mundo, é porque está sendo recompensada pelo mercado por este comportamento. Ou seja, o cliente da Wal-Mart não está se importando com o fato de a empresa ser, segundo o artigo, “impiedosa com funcionários ou fornecedores”, desde que venda produtos baratos.
Na opinião fatalista dos historiadores, sociólogos e antropólogos entrevistados, esse tenderá a ser o modelo de comportamento das empresas no século XXI, em que se busca eficiência a qualquer preço — jogando em outros ombros o custo social e ambiental dessa prática. O consumidor é visto por eles como um vilão, pois é quem sustenta esse modelo predatório. O que esses cientistas não perceberam, porém, é que justamente aí — na mão do consumidor — está o poder de virar esse jogo.
Hoje, o consumidor começa a se dar conta de que preços muito baixos podem esconder um bumerangue, pois as conseqüências voltam à sociedade e para cada consumidor em forma de desemprego, salários aviltantes ou desrespeito ao meio ambiente. A partir do momento em que o consumidor estiver informado dessas conseqüências sociais e ambientais, percebendo o impacto de suas escolhas ao fazer compras, mudará de atitude.
É exatamente o que mostra a pesquisa "Descobrindo o Consumidor Consciente: uma nova visão da realidade brasileira", apresentada em março pelo Instituto Akatu. Os resultados apontam que 6% dos consumidores brasileiros são conscientes e 37% são comprometidos, ou seja, têm um comportamento muito próximo dos conscientes. Uma das características do consumidor consciente é a disposição para transformar em práticas cotidianas os valores com os quais ele se identifica. Na pesquisa, 44% dos conscientes responderam ter deixado de comprar um produto de alguma empresa como forma de puni-la por uma atitude com a qual não concordam. Além disso, 42% incluem nos seus critérios de compra as ações da empresa em relação ao meio ambiente, e 28% consideram também as ações sociais da empresa.
Os consumidores conscientes ainda não são maioria, mas são formadores de opinião e claramente apontam caminhos que os outros deverão seguir. Então, uma empresa que fizer negócios da maneira como o artigo descreve o comportamento do Wal-Mart estará na contra-mão do que o consumidor consciente espera. Esse tipo de empresa, portanto, não terá sustentabilidade a longo prazo.
É um estranho e quase míope fatalismo daqueles cientistas sociais pensar que não há escapatória às práticas empresariais danosas, usando para isso o exemplo da Wal-Mart. Pelo contrário: o poder do consumidor consciente de mudar o mundo, de interferir diretamente na construção de uma sociedade melhor e mais justa, nunca esteve tão claro.
Fonte: Cidadania.org.br
Clique no link abaixo para ver a pesquisa "Descobrindo o Consumidor Consciente: uma nova visão da realidade brasileira".
http://www.akatu.net/conheca/pesquisa.asp
O Instituto Akatu é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, criado para educar e mobilizar a sociedade para o consumo consciente. |
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Poder de mudar o mundo apenas indo às compras
Por Instituto Ikatu
Um artigo publicado no jornal The New York Times, reproduzido pela Folha de S.Paulo, expõe a opinião de alguns cientistas sociais americanos sobre a Wal-Mart, a maior cadeia de varejo americana. Segundo eles, a companhia, em nome de uma política de oferecer produtos a preços baixos, paga baixos salários, oferece poucos benefícios aos seus funcionários e pressiona seus fornecedores a reduzir continuamente custos e preços. Se essa avaliação estiver correta, a rede de supermercados está respondendo a uma demanda de mercado baseada no preço como fator principal, senão único, na escolha de um produto pelo consumidor, desconsiderando outros fatores ligados à responsabilidade social empresarial.
Se empresa de fato faz tudo isso e continua crescendo, com faturamento anual de US$ 256 bilhões e 20 milhões de clientes em todo o mundo, é porque está sendo recompensada pelo mercado por este comportamento. Ou seja, o cliente da Wal-Mart não está se importando com o fato de a empresa ser, segundo o artigo, “impiedosa com funcionários ou fornecedores”, desde que venda produtos baratos.
Na opinião fatalista dos historiadores, sociólogos e antropólogos entrevistados, esse tenderá a ser o modelo de comportamento das empresas no século XXI, em que se busca eficiência a qualquer preço — jogando em outros ombros o custo social e ambiental dessa prática. O consumidor é visto por eles como um vilão, pois é quem sustenta esse modelo predatório. O que esses cientistas não perceberam, porém, é que justamente aí — na mão do consumidor — está o poder de virar esse jogo.
Hoje, o consumidor começa a se dar conta de que preços muito baixos podem esconder um bumerangue, pois as conseqüências voltam à sociedade e para cada consumidor em forma de desemprego, salários aviltantes ou desrespeito ao meio ambiente. A partir do momento em que o consumidor estiver informado dessas conseqüências sociais e ambientais, percebendo o impacto de suas escolhas ao fazer compras, mudará de atitude.
É exatamente o que mostra a pesquisa "Descobrindo o Consumidor Consciente: uma nova visão da realidade brasileira", apresentada em março pelo Instituto Akatu. Os resultados apontam que 6% dos consumidores brasileiros são conscientes e 37% são comprometidos, ou seja, têm um comportamento muito próximo dos conscientes. Uma das características do consumidor consciente é a disposição para transformar em práticas cotidianas os valores com os quais ele se identifica. Na pesquisa, 44% dos conscientes responderam ter deixado de comprar um produto de alguma empresa como forma de puni-la por uma atitude com a qual não concordam. Além disso, 42% incluem nos seus critérios de compra as ações da empresa em relação ao meio ambiente, e 28% consideram também as ações sociais da empresa.
Os consumidores conscientes ainda não são maioria, mas são formadores de opinião e claramente apontam caminhos que os outros deverão seguir. Então, uma empresa que fizer negócios da maneira como o artigo descreve o comportamento do Wal-Mart estará na contra-mão do que o consumidor consciente espera. Esse tipo de empresa, portanto, não terá sustentabilidade a longo prazo.
É um estranho e quase míope fatalismo daqueles cientistas sociais pensar que não há escapatória às práticas empresariais danosas, usando para isso o exemplo da Wal-Mart. Pelo contrário: o poder do consumidor consciente de mudar o mundo, de interferir diretamente na construção de uma sociedade melhor e mais justa, nunca esteve tão claro.
Fonte: Cidadania.org.br
Clique no link abaixo para ver a pesquisa "Descobrindo o Consumidor Consciente: uma nova visão da realidade brasileira".
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