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Empresas brasileiras apostam na inovação para competir
A ordem no mundo competitivo é tornar-se produtivo. Existem empresas que extrapolam o conceito de produtividade. A catarinense Tupy Fundições é uma delas. Em seis anos implementou 170 mil inovações, uma das quais vencedora no ano passado do prêmio "CNI de Qualidade e Produtividade" (concorreu com 3 mil projetos de 800 empresas). A quantidade não só a ajudou a aumentar as vendas em 17% ao ano, como a colocou em primeiro lugar no Ranking de Empreendedorismo Corporativo, criado pelo Instituto Brasileiro de Intra-Empreendedorismo (Ibie), e publicado com exclusividade pela revista "Exame".
A pesquisa baseia-se no trabalho do consultor norte-americano Gifford Pinchot, criador do termo "intra-empreendedorismo" (ou empreendedorismo interno), em 1978, que se refere à capacidade dos funcionários de agir como donos do negócio. Para ele, sempre houve intra-empreedendores, mas estar alerta para eles ajuda a influenciar a cultura que favorece sua atuação.
A classificação se deu por meio de questionários respondidos pelos empregados, seminários em cada uma das empresas finalistas e entrevistas com seus diretores. "Procuramos aferir a qualidade das empresas em três grandes temas, com um total de 23 itens", declarou Alexandre Souza, diretor-geral do Ibie à revista "Exame".
Segundo ele, primeiro foi analisado o comportamento da pesquisa, que vai da disseminação da estratégia, responsabilidade social, ética e ambiental, foco nos clientes até o tratamento dispensado às pequenas iniciativas; depois, os processos de trabalho, que incluem a prática de formação de equipes, o repasse de responsabilidades e atribuições (como os projetos são transferidos dos "pais da idéia" para a estrutura formal da empresa) e o nível de conforto com as mudanças de processo. O terceiro tema incluiu a tolerância a erros e fracassos, os critérios de avaliação das iniciativas e as medições e recompensas.
Mas nem sempre a inovação, por si só, garante bons retornos financeiros. A fabricante de computadores Apple, por exemplo, é considerada uma das organizações mais inovadoras do mundo. No entanto, controla apenas 2% do mercado de computadores pessoais, estimado em US$ 180 bilhões.
A Tupy também está nessa situação. Mesmo tendo dobrado a receita nos últimos três anos - passou de R$ 516 milhões para R$ 1,1 bilhão - seu lucro no ano passado foi de apenas R$ 9 milhões. Em 2002, houve pre-juízo de R$ 53 milhões. A baixa performance é conseqüência de dívidas assumidas na década de 80, quando a empresa partiu para um processo de diversificação. A estratégia não deu certo e a fez "cambalear" até 1995, quando foi comprada pelos seus principais credores, um pool (associação de várias empresas para operações em comum) de fundos de pensão, Bradesco e BNDESPar.
A passagem de mãos foi dolorosa e implicou o corte de 4.500 funcionários, metade do quadro. Apesar disso, esclareceu Luiz Tarquínio de Souza Ferro, presidente da empresa, a Tupy é considerada paradigma mundial em margem de lucro, com média de 15% a 16% nos últimos anos. "Boa parte desse resultado se deve à cultura de inovação", esclareceu.
Jornal Administrador Profissional - nº 218 - 2004 |
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Empresas brasileiras apostam na inovação para competir
A ordem no mundo competitivo é tornar-se produtivo. Existem empresas que extrapolam o conceito de produtividade. A catarinense Tupy Fundições é uma delas. Em seis anos implementou 170 mil inovações, uma das quais vencedora no ano passado do prêmio "CNI de Qualidade e Produtividade" (concorreu com 3 mil projetos de 800 empresas). A quantidade não só a ajudou a aumentar as vendas em 17% ao ano, como a colocou em primeiro lugar no Ranking de Empreendedorismo Corporativo, criado pelo Instituto Brasileiro de Intra-Empreendedorismo (Ibie), e publicado com exclusividade pela revista "Exame".
A pesquisa baseia-se no trabalho do consultor norte-americano Gifford Pinchot, criador do termo "intra-empreendedorismo" (ou empreendedorismo interno), em 1978, que se refere à capacidade dos funcionários de agir como donos do negócio. Para ele, sempre houve intra-empreedendores, mas estar alerta para eles ajuda a influenciar a cultura que favorece sua atuação.
A classificação se deu por meio de questionários respondidos pelos empregados, seminários em cada uma das empresas finalistas e entrevistas com seus diretores. "Procuramos aferir a qualidade das empresas em três grandes temas, com um total de 23 itens", declarou Alexandre Souza, diretor-geral do Ibie à revista "Exame".
Segundo ele, primeiro foi analisado o comportamento da pesquisa, que vai da disseminação da estratégia, responsabilidade social, ética e ambiental, foco nos clientes até o tratamento dispensado às pequenas iniciativas; depois, os processos de trabalho, que incluem a prática de formação de equipes, o repasse de responsabilidades e atribuições (como os projetos são transferidos dos "pais da idéia" para a estrutura formal da empresa) e o nível de conforto com as mudanças de processo. O terceiro tema incluiu a tolerância a erros e fracassos, os critérios de avaliação das iniciativas e as medições e recompensas.
Mas nem sempre a inovação, por si só, garante bons retornos financeiros. A fabricante de computadores Apple, por exemplo, é considerada uma das organizações mais inovadoras do mundo. No entanto, controla apenas 2% do mercado de computadores pessoais, estimado em US$ 180 bilhões.
A Tupy também está nessa situação. Mesmo tendo dobrado a receita nos últimos três anos - passou de R$ 516 milhões para R$ 1,1 bilhão - seu lucro no ano passado foi de apenas R$ 9 milhões. Em 2002, houve pre-juízo de R$ 53 milhões. A baixa performance é conseqüência de dívidas assumidas na década de 80, quando a empresa partiu para um processo de diversificação. A estratégia não deu certo e a fez "cambalear" até 1995, quando foi comprada pelos seus principais credores, um pool (associação de várias empresas para operações em comum) de fundos de pensão, Bradesco e BNDESPar.
A passagem de mãos foi dolorosa e implicou o corte de 4.500 funcionários, metade do quadro. Apesar disso, esclareceu Luiz Tarquínio de Souza Ferro, presidente da empresa, a Tupy é considerada paradigma mundial em margem de lucro, com média de 15% a 16% nos últimos anos. "Boa parte desse resultado se deve à cultura de inovação", esclareceu.
Jornal Administrador Profissional - nº 218 - 2004 |
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