Saiba como usar um
Plano de Negócios


Por Marcos Hashimoto

O Sebrae/SP e a Fiesp estão começando a desenvolver as melhorias que serão implementadas na versão 2 do SP Plan, software de Planos de Negócios que eles disponibilizam gratuitamente em seus sites na Internet. Muitos leitores me questionam sobre a real efetividade de um sistema como este para as necessidades de um empreendedor.

Em primeiro lugar, para que serve um Plano de Negócios? O arquiteto desenha o seu projeto no papel, faz testes de alternativas, simula com a ajuda de vários tipos de software as projeções sobre as variações do terreno, as possibilidades de fachadas e circulação, as simulações de luz, sombra e vento em diversas épocas do ano, e tudo o mais que ele possa vislumbrar no papel antes de executar. Da mesma forma um pesquisador também faz uma série de investigações e testes em laboratório. Errar no papel no processo de pesquisa e aprendizado é muito mais barato do que errar com protótipos reais. Assim é o Plano de Negócios para o empreendedor, uma forma de testar uma idéia de negócio no papel, um guia para garantir que o empreendedor não tenha se esquecido de questões importantes e estratégicas que farão a diferença no seu negócio. O Plano de Negócios serve como um documento que consolida o modelo de negócios proposto sob todos os aspectos: financeiros, mercadológicos, operacionais, estratégicos e estruturais, de forma a integrar os diferentes elementos que envolvem a abertura de um novo negócio sob uma visão holística e abrangente.

Uma pergunta bastante recorrente que é feita em minhas palestras sobre o assunto é: Porque o Plano de Negócios só surgiu agora se negócios existem desde sempre? Bem, em primeiro lugar, o conceito não é novo, simplesmente se popularizou há cinco anos com a onda das ‘ponto com’, empresas de Internet. Em segundo lugar, o ambiente empresarial de uma década para cá se tornou extremamente dinâmico e competitivo. Hoje, cometer erros não necessariamente representa apenas mais um aprendizado na vida de uma empresa. Muitos erros podem ser fatais. Com ferramentas apropriadas, o empreendedor minimiza suas chances de erro e, conseqüentemente, seus riscos de fracasso. Por último, grandes empresas que conhecemos hoje possuem grandes empreendedores por trás. Nem todos nós possuímos as características dos empreendedores de sucesso. Não temos a habilidade natural de formar relações importantes, não somos criativos e inovadores, não temos aquele famoso ‘faro para um bom negócio’. Uma forma de compensar estas carências é através do profissionalismo e racionalismo que o Plano de Negócios propõe. Um documento bem feito nos força a aprender alguns fundamentos de administração geral que poucos empreendedores possuem.

Mas um Plano de Negócios não representa a panacéia universal. Não quer dizer que uma vez escrito o Plano de Negócios, tudo vai dar certo na vida do empreendedor. De nada adianta escrever um bom Plano de Negócios se o empreendedor não tiver a capacidade de executar o que foi planejado. Um bom Plano de Negócios é inútil se ele não souber conquistar o apoio necessário, seja de clientes, fornecedores, parceiros, investidores ou governo. O Plano de Negócios não serve para nada se não forem previstas alternativas de ação para as dificuldades operacionais que surgirão, sobretudo as variáveis que não estão previstas no próprio Plano, mesmo porque, nenhum plano consegue prever tudo.

O Plano de Negócios, portanto, nada mais é que uma ferramenta, que deve ser utilizada apropriadamente para atingir os objetivos propostos. Já vi muita gente escrevendo um Plano de Negócios para testar a viabilidade de uma idéia e depois usar o mesmo documento para obter financiamento. São objetivos diferentes com formas distintas de uso. No primeiro caso, o Plano é um documento de uso interno, aceita tudo. No segundo caso, é um documento externo, serve para vender uma idéia. O conteúdo é distinto, a forma de se colocar as coisas é diferente, a preocupação está muito mais no leitor do que no negócio em si. Não pode ser o mesmo documento.

Além do mais, falando agora do próprio SP Plan, o software foi desenhado para ser aberto o suficiente para acomodar as mais variadas idéias de qualquer setor, qualquer área, qualquer segmento. 80% do sistema é composto por campos de digitação livre. Cabe ao empreendedor que vai preenchê-lo, tomar a decisão sobre o que deve colocar e o que não deve. Quem usar o sistema deve ter o bom senso de saber distinguir quanto de espaço dedica para dar as especificações técnicas do produto quando o leitor é um investidor e não um técnico; e quanto deve explicar sobre os indicadores de rentabilidade, VPL, TIR, quando quiser usar o documento para contratar um pesquisador-chave e não apresentá-lo a um banco.

Ele pode querer responder a todas as perguntas. Vai levar muito mais tempo e o documento perderá em concisão. Se no final, for produzida uma ‘bíblia’ de 200 páginas, quem vai lê-lo? Ele pode escrever que o local de instalação do negócio já passou pela vistoria do corpo de bombeiros e esquecer de colocar que o produto possui uma característica única que o diferencia dos similares da concorrência. Nenhum sistema vai ajudá-lo neste sentido. Esta decisão sobre o conteúdo é só do empreendedor. Não se iluda. Não use mal a ferramenta. Passe por um treinamento, leia e aprenda sobre o assunto. Use o SP Plan como um guia, um roteiro que vai lhe mostrar que coisas você deveria estar conhecendo melhor sobre o seu negócio, e não como um simples questionário. Caso contrário, o software não servirá para nada.

Veja bem, um engenheiro usará bem uma ferramenta de CAD (Computer Aid Design) porque ele recebeu a formação apropriada para isso. Mas nem todos os empreendedores são administradores. Ainda que o SP Plan não tenha sido desenhado apenas para administradores, alguma formação básica é necessária para tirar o máximo de proveito da ferramenta.

Fonte: Vencer-RS

Marcos Hashimoto é sócio-diretor da Lebre Consulting, Mestre em Administração de Empresas pela EAESP/FGV. Especialista em Análise de Sistemas, licenciado em Pedagogia e pós-graduado em Planejamento Empresarial pela Univ. São Judas Tadeu.


Saiba como usar um
Plano de Negócios


Por Marcos Hashimoto

O Sebrae/SP e a Fiesp estão começando a desenvolver as melhorias que serão implementadas na versão 2 do SP Plan, software de Planos de Negócios que eles disponibilizam gratuitamente em seus sites na Internet. Muitos leitores me questionam sobre a real efetividade de um sistema como este para as necessidades de um empreendedor.

Em primeiro lugar, para que serve um Plano de Negócios? O arquiteto desenha o seu projeto no papel, faz testes de alternativas, simula com a ajuda de vários tipos de software as projeções sobre as variações do terreno, as possibilidades de fachadas e circulação, as simulações de luz, sombra e vento em diversas épocas do ano, e tudo o mais que ele possa vislumbrar no papel antes de executar. Da mesma forma um pesquisador também faz uma série de investigações e testes em laboratório. Errar no papel no processo de pesquisa e aprendizado é muito mais barato do que errar com protótipos reais. Assim é o Plano de Negócios para o empreendedor, uma forma de testar uma idéia de negócio no papel, um guia para garantir que o empreendedor não tenha se esquecido de questões importantes e estratégicas que farão a diferença no seu negócio. O Plano de Negócios serve como um documento que consolida o modelo de negócios proposto sob todos os aspectos: financeiros, mercadológicos, operacionais, estratégicos e estruturais, de forma a integrar os diferentes elementos que envolvem a abertura de um novo negócio sob uma visão holística e abrangente.

Uma pergunta bastante recorrente que é feita em minhas palestras sobre o assunto é: Porque o Plano de Negócios só surgiu agora se negócios existem desde sempre? Bem, em primeiro lugar, o conceito não é novo, simplesmente se popularizou há cinco anos com a onda das ‘ponto com’, empresas de Internet. Em segundo lugar, o ambiente empresarial de uma década para cá se tornou extremamente dinâmico e competitivo. Hoje, cometer erros não necessariamente representa apenas mais um aprendizado na vida de uma empresa. Muitos erros podem ser fatais. Com ferramentas apropriadas, o empreendedor minimiza suas chances de erro e, conseqüentemente, seus riscos de fracasso. Por último, grandes empresas que conhecemos hoje possuem grandes empreendedores por trás. Nem todos nós possuímos as características dos empreendedores de sucesso. Não temos a habilidade natural de formar relações importantes, não somos criativos e inovadores, não temos aquele famoso ‘faro para um bom negócio’. Uma forma de compensar estas carências é através do profissionalismo e racionalismo que o Plano de Negócios propõe. Um documento bem feito nos força a aprender alguns fundamentos de administração geral que poucos empreendedores possuem.

Mas um Plano de Negócios não representa a panacéia universal. Não quer dizer que uma vez escrito o Plano de Negócios, tudo vai dar certo na vida do empreendedor. De nada adianta escrever um bom Plano de Negócios se o empreendedor não tiver a capacidade de executar o que foi planejado. Um bom Plano de Negócios é inútil se ele não souber conquistar o apoio necessário, seja de clientes, fornecedores, parceiros, investidores ou governo. O Plano de Negócios não serve para nada se não forem previstas alternativas de ação para as dificuldades operacionais que surgirão, sobretudo as variáveis que não estão previstas no próprio Plano, mesmo porque, nenhum plano consegue prever tudo.

O Plano de Negócios, portanto, nada mais é que uma ferramenta, que deve ser utilizada apropriadamente para atingir os objetivos propostos. Já vi muita gente escrevendo um Plano de Negócios para testar a viabilidade de uma idéia e depois usar o mesmo documento para obter financiamento. São objetivos diferentes com formas distintas de uso. No primeiro caso, o Plano é um documento de uso interno, aceita tudo. No segundo caso, é um documento externo, serve para vender uma idéia. O conteúdo é distinto, a forma de se colocar as coisas é diferente, a preocupação está muito mais no leitor do que no negócio em si. Não pode ser o mesmo documento.

Além do mais, falando agora do próprio SP Plan, o software foi desenhado para ser aberto o suficiente para acomodar as mais variadas idéias de qualquer setor, qualquer área, qualquer segmento. 80% do sistema é composto por campos de digitação livre. Cabe ao empreendedor que vai preenchê-lo, tomar a decisão sobre o que deve colocar e o que não deve. Quem usar o sistema deve ter o bom senso de saber distinguir quanto de espaço dedica para dar as especificações técnicas do produto quando o leitor é um investidor e não um técnico; e quanto deve explicar sobre os indicadores de rentabilidade, VPL, TIR, quando quiser usar o documento para contratar um pesquisador-chave e não apresentá-lo a um banco.

Ele pode querer responder a todas as perguntas. Vai levar muito mais tempo e o documento perderá em concisão. Se no final, for produzida uma ‘bíblia’ de 200 páginas, quem vai lê-lo? Ele pode escrever que o local de instalação do negócio já passou pela vistoria do corpo de bombeiros e esquecer de colocar que o produto possui uma característica única que o diferencia dos similares da concorrência. Nenhum sistema vai ajudá-lo neste sentido. Esta decisão sobre o conteúdo é só do empreendedor. Não se iluda. Não use mal a ferramenta. Passe por um treinamento, leia e aprenda sobre o assunto. Use o SP Plan como um guia, um roteiro que vai lhe mostrar que coisas você deveria estar conhecendo melhor sobre o seu negócio, e não como um simples questionário. Caso contrário, o software não servirá para nada.

Veja bem, um engenheiro usará bem uma ferramenta de CAD (Computer Aid Design) porque ele recebeu a formação apropriada para isso. Mas nem todos os empreendedores são administradores. Ainda que o SP Plan não tenha sido desenhado apenas para administradores, alguma formação básica é necessária para tirar o máximo de proveito da ferramenta.

Fonte: Vencer-RS

Marcos Hashimoto é sócio-diretor da Lebre Consulting, Mestre em Administração de Empresas pela EAESP/FGV. Especialista em Análise de Sistemas, licenciado em Pedagogia e pós-graduado em Planejamento Empresarial pela Univ. São Judas Tadeu.
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