O espelho que nos oportuniza

Por Eric Dorion

Não é mais surpresa para nós: a palavra EMPREENDEDORISMO chega a ser a mais utilizada ao se referir a uma solução organizacional. Os problemas que vêm ocorrendo nas empresas não pertencem mais, exclusivamente, a estas, pertencem aqueles que as lideram e as tornam geradoras de valor agregado.

Para alguns autores reconhecidos, os assuntos referentes às atividades do empreendedor e à sua organização, fazem parte dos contextos que influenciam essa atividade que surge como uma solução para irradiar o desemprego endêmico e criar novos negócios. Porém, para o empreendedor, de que adianta uma multidão de trabalhos científicos, relatórios e pesquisas referentes ao assunto, se a maioria destes permanece intocável nas prateleiras das universidades?

Diante desse contexto, um empreendedor inovador procura manter-se atualizado em busca de informações, relatórios e pesquisas atuais que possam auxiliá-lo na resolução dos problemas que surgem em sua organização. Contudo, um dos principais problemas do empreendedor, está no uso de referências de produções técnicas e científicas.

Uma famosa pesquisa realizada em 1997, a GEM (Global Entrepreneurship Monitor) sob a coordenação do Professor Raul Reynolds em parceria com Instituições Norte Americanas e Inglesas, teve como principal objetivo compreender melhor o fenômeno do EMPREENDEDORISMO, assim como seu papel no processo de crescimento e desenvolvimento econômico de alguns países ativos no ciclo da globalização.

Paul Reynolds, doutor em Sociologia, iniciou sua carreira na Marquette University, Milwaukee, no Midwest Americano, e é considerado um acadêmico empreendedor, pelo fato de buscar respostas práticas e concretas para a comunidade empreendedora. A preocupação de Reynolds era clara: “Temos que reconhecer que ninguém sabe o que está acontecendo fora de nossas empresas”.

Para Reynolds, seu trabalho inicial consistia na investigação sobre o fenômeno da criação de novos negócios no país e seus empreendedores, de forma aleatória, onde buscava dados de quando, onde e como haviam sido iniciados os negócios próprios. Rapidamente, o Professor Reynolds ganhou credibilidade em seu trabalho inovador de pesquisa e mudou-se para a Babson College, em Wellesley (Massetchusetts), Instituição de Ensino e Pesquisa mais prestigiada dos Estados Unidos no campo do EMPREENDEDORISMO.

Com o apoio de seus colegas de trabalho, conseguiu um financiamento da Fundação Ewing Marion Kauffman, de Kansas City, para desenvolver uma pesquisa com o objetivo de responder às inúmeras questões não resolvidas. O resultado foi uma atividade permanente de pesquisa em nível internacional, conhecida como Global Entrepreneurship Monitor - GEM, que avalia as tarefas desenvolvidas pelas pessoas comprometidas em atividades de criação de empresas.

A pesquisa já foi realizada em mais de trinta países e investiga a situação atual de questões como economia, finanças, educação, infra-estrutura, comparando-as com os resultados obtidos através dos dados coletados. Este trabalho possibilita monitorar a situação do EMPREENDEDORISMO no Brasil, investigando as condições nacionais de natureza sócio-cultural e econômica através da coleta de dados sobre o comportamento da força de trabalho do País em relação aos negócios em geral.

O projeto nacional é coordenado pelo Instituto Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (IBQP), patrocinado pelo Sebrae e pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL/PR). Segundo o Dr. Schlemm, a inovação e o desenvolvimento empresarial, ainda permanecem pouco compreendidos pela sociedade brasileira e sua liderança política e institucional.

As pesquisas confirmam claramente que a inovação e o empreendedorismo crescem lado a lado (Drucker, 1997) e constituem o motor do desenvolvimento econômico. O baixo índice da inovação observado nas políticas e práticas da gestão é o resultado de uma falta de visão sistematizada da parte da liderança pública e privada brasileira.

A repetição e a complexidade dos processos, métodos e programas pouco criativos, sem fiscalização sobre os resultados criou um ambiente insignificante na participação das empresas nacionais nos mercados internacionais. Nesse sentido, pode-se acreditar que os governos brasileiros iniciaram este novo século com deficiências próprias dos países chamados de Terceiro Mundo, com atitudes submissas, tendo suas lideranças ainda dominadas pelos países que já priorizam o desenvolvimento social, científico e tecnológico, visando o crescimento do bem-estar do ser humano.

Independentemente desta realidade sócio-política, a pesquisa apresenta índices de empreendedorismo mais elevados no Brasil, principalmente motivados pela necessidade de sobrevivência e não pela motivação do empreendedor a criar uma nova empresa em função da oportunidade e da inovação.

Quanto à educação, até agora ainda há dificuldades em propor soluções de escala para os empreendedores com potencialidade de alto nível. Por exemplo, o sistema educacional brasileiro conta com mais de 1500 instituições universitárias facilitando o desenvolvimento de profissionais preparados e capazes para a geração de empreendimentos, mais especificamente os que envolvem alta tecnologia. Porém, o baixo nível educacional do País, combinado a um modelo educacional tradicionalista nas universidades, cria realidades claramente deficientes quanto à incapacidade de conduzir os estudantes em uma realidade empreendedora. Tanto os cursos profissionalizantes como os universitários são orientados para a formação do candidato a um emprego, e não ao desenvolvimento de seu potencial empreendedor, iniciativa própria, criatividade e inovação.

Quanto à pesquisa e desenvolvimento, há uma incoerência entre os gastos das instituições de pesquisa e as necessidades das empresas. As pesquisas são historicamente afastadas das necessidades da população, gerando a falta de informação ao empreendedor e limitando a sua capacidade de crescer no mercado competitivo. As organizações de apoio voltadas ao desenvolvimento de pesquisa não orientam de forma adequada a transferência de tecnologia às pequenas empresas.

Num contexto onde a flexibilidade e a adaptabilidade da cultura do povo brasileiro o torna capaz de migrar de um foco para outro com maior facilidade e criatividade, como aproveitar esta fonte de riqueza empreendedora, utilizando os recursos e as instituições que já existem? O que a pesquisa americana GEM representa para o cidadão brasileiro?

“Qualquer tentativa de criação de um novo negócio ou novo empreendimento, como por exemplo, uma atividade autônoma, uma nova empresa, ou a expansão de um negócio por um indivíduo, grupos de indivíduos ou por empresas já estabelecidas”.

Essa definição constitui a base do pensamento do professor Paul Reynolds e o permitiu criar indicadores de avaliação do contexto brasileiro. Segundo os dados da última pesquisa sobre a evolução do EMPREENDEDORISMO, por necessidade e oportunidade, no Brasil (novas empresas e empresas nascentes - Atividade Empreendedora Total – TEA), constatamos que a situação está crescendo de maneira fraca, mas estável na criação de novas empresas.

Um aspecto importante a reconhecer é o crescimento maior de alguns países da América do Sul, colocando o Brasil na sexta posição no mundo, atrás do Venezuela, da Argentina e do Chile. O Brasil está regressando em relação as outros, deixando-o abaixo da média dos 10 maiores.

Essa situação é sintomática de algumas dificuldades no processo de criação de novas empresas. O trabalho do Dr. Paul Reynolds é de fundamental importância devido a muitos motivos. Primeiro, os dados recolhidos pela pesquisa constituem a única fonte nacional de dados sócio-econômicos em relação ao EMPREENDEDORISMO, que envolve o empreendedor e todos aqueles que buscam o crescimento e desenvolvimento de suas empresas. Segundo, porque faz uma ligação entre as metas do empreendedor, que busca um crescimento sustentável de sua empresa, e os efeitos das atividades do funcionário que está evoluindo num mundo burocrático, onde não se encontra habilitado para atender com eficiência a velocidade das necessidades do empreendedor. Terceiro, a realidade cultural brasileira alimenta uma dinâmica dita “paternalista” criando um isolamento de “modo vertical” nas ações dos governos para a comunidade empreendedora. Quarto, de maneira geral, o empreendedor brasileiro é localmente percebido como um “predador tubarão” que prioriza sua própria riqueza antes do bem-estar de seus dependentes econômicos (empregados e comunidade).

Contudo, temos que reconhecer que tudo isso faz parte do cenário empresarial do Brasil e que a pesquisa GEM constitui um espelho que nos oportuniza ver as coisas de outra maneira, para que possamos iniciar as mudanças de modo correto.

Portanto, a solução reside na aceitação coletiva da situação e da permissão para a realização de ações, em conjunto e de maneira sistematizada. A liderança empreendedora do país deve ser um modelo de referência para os outros, que também devem iniciar este mesmo processo. A solução não é única e estática. Nesse sentido a comunidade, o empresário e o empreendedor são fundamentais para auxiliar e facilitar esse processo de mudanças.

Parabéns ao Professor Paul Reynolds e as parceiras brasileiras que trabalham com o objetivo de criar um modelo de sociedade que seja, antes de tudo, brasileira, liderando os avanços sociais, culturais, econômicos e tecnológicos.





O espelho que nos oportuniza

Por Eric Dorion

Não é mais surpresa para nós: a palavra EMPREENDEDORISMO chega a ser a mais utilizada ao se referir a uma solução organizacional. Os problemas que vêm ocorrendo nas empresas não pertencem mais, exclusivamente, a estas, pertencem aqueles que as lideram e as tornam geradoras de valor agregado.

Para alguns autores reconhecidos, os assuntos referentes às atividades do empreendedor e à sua organização, fazem parte dos contextos que influenciam essa atividade que surge como uma solução para irradiar o desemprego endêmico e criar novos negócios. Porém, para o empreendedor, de que adianta uma multidão de trabalhos científicos, relatórios e pesquisas referentes ao assunto, se a maioria destes permanece intocável nas prateleiras das universidades?

Diante desse contexto, um empreendedor inovador procura manter-se atualizado em busca de informações, relatórios e pesquisas atuais que possam auxiliá-lo na resolução dos problemas que surgem em sua organização. Contudo, um dos principais problemas do empreendedor, está no uso de referências de produções técnicas e científicas.

Uma famosa pesquisa realizada em 1997, a GEM (Global Entrepreneurship Monitor) sob a coordenação do Professor Raul Reynolds em parceria com Instituições Norte Americanas e Inglesas, teve como principal objetivo compreender melhor o fenômeno do EMPREENDEDORISMO, assim como seu papel no processo de crescimento e desenvolvimento econômico de alguns países ativos no ciclo da globalização.

Paul Reynolds, doutor em Sociologia, iniciou sua carreira na Marquette University, Milwaukee, no Midwest Americano, e é considerado um acadêmico empreendedor, pelo fato de buscar respostas práticas e concretas para a comunidade empreendedora. A preocupação de Reynolds era clara: “Temos que reconhecer que ninguém sabe o que está acontecendo fora de nossas empresas”.

Para Reynolds, seu trabalho inicial consistia na investigação sobre o fenômeno da criação de novos negócios no país e seus empreendedores, de forma aleatória, onde buscava dados de quando, onde e como haviam sido iniciados os negócios próprios. Rapidamente, o Professor Reynolds ganhou credibilidade em seu trabalho inovador de pesquisa e mudou-se para a Babson College, em Wellesley (Massetchusetts), Instituição de Ensino e Pesquisa mais prestigiada dos Estados Unidos no campo do EMPREENDEDORISMO.

Com o apoio de seus colegas de trabalho, conseguiu um financiamento da Fundação Ewing Marion Kauffman, de Kansas City, para desenvolver uma pesquisa com o objetivo de responder às inúmeras questões não resolvidas. O resultado foi uma atividade permanente de pesquisa em nível internacional, conhecida como Global Entrepreneurship Monitor - GEM, que avalia as tarefas desenvolvidas pelas pessoas comprometidas em atividades de criação de empresas.

A pesquisa já foi realizada em mais de trinta países e investiga a situação atual de questões como economia, finanças, educação, infra-estrutura, comparando-as com os resultados obtidos através dos dados coletados. Este trabalho possibilita monitorar a situação do EMPREENDEDORISMO no Brasil, investigando as condições nacionais de natureza sócio-cultural e econômica através da coleta de dados sobre o comportamento da força de trabalho do País em relação aos negócios em geral.

O projeto nacional é coordenado pelo Instituto Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (IBQP), patrocinado pelo Sebrae e pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL/PR). Segundo o Dr. Schlemm, a inovação e o desenvolvimento empresarial, ainda permanecem pouco compreendidos pela sociedade brasileira e sua liderança política e institucional.

As pesquisas confirmam claramente que a inovação e o empreendedorismo crescem lado a lado (Drucker, 1997) e constituem o motor do desenvolvimento econômico. O baixo índice da inovação observado nas políticas e práticas da gestão é o resultado de uma falta de visão sistematizada da parte da liderança pública e privada brasileira.

A repetição e a complexidade dos processos, métodos e programas pouco criativos, sem fiscalização sobre os resultados criou um ambiente insignificante na participação das empresas nacionais nos mercados internacionais. Nesse sentido, pode-se acreditar que os governos brasileiros iniciaram este novo século com deficiências próprias dos países chamados de Terceiro Mundo, com atitudes submissas, tendo suas lideranças ainda dominadas pelos países que já priorizam o desenvolvimento social, científico e tecnológico, visando o crescimento do bem-estar do ser humano.

Independentemente desta realidade sócio-política, a pesquisa apresenta índices de empreendedorismo mais elevados no Brasil, principalmente motivados pela necessidade de sobrevivência e não pela motivação do empreendedor a criar uma nova empresa em função da oportunidade e da inovação.

Quanto à educação, até agora ainda há dificuldades em propor soluções de escala para os empreendedores com potencialidade de alto nível. Por exemplo, o sistema educacional brasileiro conta com mais de 1500 instituições universitárias facilitando o desenvolvimento de profissionais preparados e capazes para a geração de empreendimentos, mais especificamente os que envolvem alta tecnologia. Porém, o baixo nível educacional do País, combinado a um modelo educacional tradicionalista nas universidades, cria realidades claramente deficientes quanto à incapacidade de conduzir os estudantes em uma realidade empreendedora. Tanto os cursos profissionalizantes como os universitários são orientados para a formação do candidato a um emprego, e não ao desenvolvimento de seu potencial empreendedor, iniciativa própria, criatividade e inovação.

Quanto à pesquisa e desenvolvimento, há uma incoerência entre os gastos das instituições de pesquisa e as necessidades das empresas. As pesquisas são historicamente afastadas das necessidades da população, gerando a falta de informação ao empreendedor e limitando a sua capacidade de crescer no mercado competitivo. As organizações de apoio voltadas ao desenvolvimento de pesquisa não orientam de forma adequada a transferência de tecnologia às pequenas empresas.

Num contexto onde a flexibilidade e a adaptabilidade da cultura do povo brasileiro o torna capaz de migrar de um foco para outro com maior facilidade e criatividade, como aproveitar esta fonte de riqueza empreendedora, utilizando os recursos e as instituições que já existem? O que a pesquisa americana GEM representa para o cidadão brasileiro?

“Qualquer tentativa de criação de um novo negócio ou novo empreendimento, como por exemplo, uma atividade autônoma, uma nova empresa, ou a expansão de um negócio por um indivíduo, grupos de indivíduos ou por empresas já estabelecidas”.

Essa definição constitui a base do pensamento do professor Paul Reynolds e o permitiu criar indicadores de avaliação do contexto brasileiro. Segundo os dados da última pesquisa sobre a evolução do EMPREENDEDORISMO, por necessidade e oportunidade, no Brasil (novas empresas e empresas nascentes - Atividade Empreendedora Total – TEA), constatamos que a situação está crescendo de maneira fraca, mas estável na criação de novas empresas.

Um aspecto importante a reconhecer é o crescimento maior de alguns países da América do Sul, colocando o Brasil na sexta posição no mundo, atrás do Venezuela, da Argentina e do Chile. O Brasil está regressando em relação as outros, deixando-o abaixo da média dos 10 maiores.

Essa situação é sintomática de algumas dificuldades no processo de criação de novas empresas. O trabalho do Dr. Paul Reynolds é de fundamental importância devido a muitos motivos. Primeiro, os dados recolhidos pela pesquisa constituem a única fonte nacional de dados sócio-econômicos em relação ao EMPREENDEDORISMO, que envolve o empreendedor e todos aqueles que buscam o crescimento e desenvolvimento de suas empresas. Segundo, porque faz uma ligação entre as metas do empreendedor, que busca um crescimento sustentável de sua empresa, e os efeitos das atividades do funcionário que está evoluindo num mundo burocrático, onde não se encontra habilitado para atender com eficiência a velocidade das necessidades do empreendedor. Terceiro, a realidade cultural brasileira alimenta uma dinâmica dita “paternalista” criando um isolamento de “modo vertical” nas ações dos governos para a comunidade empreendedora. Quarto, de maneira geral, o empreendedor brasileiro é localmente percebido como um “predador tubarão” que prioriza sua própria riqueza antes do bem-estar de seus dependentes econômicos (empregados e comunidade).

Contudo, temos que reconhecer que tudo isso faz parte do cenário empresarial do Brasil e que a pesquisa GEM constitui um espelho que nos oportuniza ver as coisas de outra maneira, para que possamos iniciar as mudanças de modo correto.

Portanto, a solução reside na aceitação coletiva da situação e da permissão para a realização de ações, em conjunto e de maneira sistematizada. A liderança empreendedora do país deve ser um modelo de referência para os outros, que também devem iniciar este mesmo processo. A solução não é única e estática. Nesse sentido a comunidade, o empresário e o empreendedor são fundamentais para auxiliar e facilitar esse processo de mudanças.

Parabéns ao Professor Paul Reynolds e as parceiras brasileiras que trabalham com o objetivo de criar um modelo de sociedade que seja, antes de tudo, brasileira, liderando os avanços sociais, culturais, econômicos e tecnológicos.



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