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Coração Empresarial
Ano passado, escrevi um artigo em que eu dizia:
“Nas minhas andanças pelos EUA no começo dos anos 90 em toda sala tinha um quadrinho que falava do foco nos funcionários,“o ativo mais importante”, da ética e da responsabilidade social. E também de diversidade ( que é a necessidade de integrar as minorias – negros, asiáticos, latinos, etcetcetc ao mundo dos brancos anglo-saxões).
Fiquei encantado. Puxa, as empresas estão ficando mais humanas, entendendo que todo mundo é igual, que as diferenças de sexo, raça ou credo não tornam as pessoas mais ou menos dignas ou humanas. Aí um alto executivo de uma grande empresa, me explicou:
- No futuro, aqui nos EUA, vamos ter muito mais negros, latinos, asiáticos. E essa gente só vai comprar produtos de empresas que empreguem gente igual a eles. E se a gente não começar a integrar essa gente, então no futuro não vamos conseguir vender para eles...
- Ué, mas não é uma questão de valores humanitários, de entender que todos os homens são iguais, de não ter preconceitos?
- Não. É uma questão de lucro.
Aí eu percebi que o lance da responsabilidade social era igual... Percebi a mecânica do gerenciamento com foco nos resultados, que a estas alturas dominava o cenário brasileiro. E mundial. Percebi que as empresas não têm alma. E que muitas pessoas contaminam-se com isso e, em vez de humanizar a empresa, tornam-se máquinas calculadoras frias, focadas em resultados em curto prazo, sem compromisso com valores culturais e morais.
E as empresas, meu caro, são microcosmos que replicam os países...” Pois é. De lá para cá, vejo a questão da responsabilidade social ocupando espaços cada vez maiores na mídia. Que bom! São temas que tem que ser tratados e talvez indiquem um nível de maturidade que coloca as empresas na sua função real, que vai muito além de dar lucro.
Mas...será? Será que essa discussão entrou no sangue e alma das pessoas? Passou a fazer parte dos valores reais – não daqueles escritos naquele papel da parede?
Será que as pessoas sabem do que estão falando? Será que estão sendo profundas? Ou essa é mais uma daquelas discussões superficiais, provocadas mais pelo modismo do que por uma verdadeira intenção humanitária?
Não sei. Me parece que as pessoas ainda confundem filantropia com responsabilidade social. Acham que dando uma esmola aqui, estão cumprindo um papel. E dedicam-se à informatizar a esmola. A elaborar processos e certificações, que dêem “substância” à esmola. E passam a chamá-la, a mesma velha e boa esmola, de responsabilidade social.
Nesse sentido, fico um tanto cauteloso. É boa a discussão, é bom que mais empresas estejam aderindo, é bom que mais esteja sendo feito. Mas é ruim se isso é da boca para fora, se é motivado pela intenção do lucro. Ou se é moda. Porque soa falso. Esse termo, responsabilidade social, é sério demais para ser tratado como modismo. Se é uma questão de “todo mundo faz, então eu também”, então não é social. É, no máximo, oportunista. E quando a moda passar, vai acabar.
Ninguém precisa de modismos pomposos, de processos complexos, de sistemas controláveis, leis escritas, cartazes na parede e planos complexos para forçar o voluntariado. Só precisamos de coração. O resto é conseqüência.
,Ano passado, escrevi um artigo em que eu dizia:
“Nas minhas andanças pelos EUA no começo dos anos 90 em toda sala tinha um quadrinho que falava do foco nos funcionários,“o ativo mais importante”, da ética e da responsabilidade social. E também de diversidade ( que é a necessidade de integrar as minorias – negros, asiáticos, latinos, etcetcetc ao mundo dos brancos anglo-saxões).
Fiquei encantado. Puxa, as empresas estão ficando mais humanas, entendendo que todo mundo é igual, que as diferenças de sexo, raça ou credo não tornam as pessoas mais ou menos dignas ou humanas. Aí um alto executivo de uma grande empresa, me explicou:
- No futuro, aqui nos EUA, vamos ter muito mais negros, latinos, asiáticos. E essa gente só vai comprar produtos de empresas que empreguem gente igual a eles. E se a gente não começar a integrar essa gente, então no futuro não vamos conseguir vender para eles...
- Ué, mas não é uma questão de valores humanitários, de entender que todos os homens são iguais, de não ter preconceitos?
- Não. É uma questão de lucro.
Aí eu percebi que o lance da responsabilidade social era igual... Percebi a mecânica do gerenciamento com foco nos resultados, que a estas alturas dominava o cenário brasileiro. E mundial. Percebi que as empresas não têm alma. E que muitas pessoas contaminam-se com isso e, em vez de humanizar a empresa, tornam-se máquinas calculadoras frias, focadas em resultados em curto prazo, sem compromisso com valores culturais e morais.
E as empresas, meu caro, são microcosmos que replicam os países...” Pois é. De lá para cá, vejo a questão da responsabilidade social ocupando espaços cada vez maiores na mídia. Que bom! São temas que tem que ser tratados e talvez indiquem um nível de maturidade que coloca as empresas na sua função real, que vai muito além de dar lucro.
Mas...será? Será que essa discussão entrou no sangue e alma das pessoas? Passou a fazer parte dos valores reais – não daqueles escritos naquele papel da parede?
Será que as pessoas sabem do que estão falando? Será que estão sendo profundas? Ou essa é mais uma daquelas discussões superficiais, provocadas mais pelo modismo do que por uma verdadeira intenção humanitária?
Não sei. Me parece que as pessoas ainda confundem filantropia com responsabilidade social. Acham que dando uma esmola aqui, estão cumprindo um papel. E dedicam-se à informatizar a esmola. A elaborar processos e certificações, que dêem “substância” à esmola. E passam a chamá-la, a mesma velha e boa esmola, de responsabilidade social.
Nesse sentido, fico um tanto cauteloso. É boa a discussão, é bom que mais empresas estejam aderindo, é bom que mais esteja sendo feito. Mas é ruim se isso é da boca para fora, se é motivado pela intenção do lucro. Ou se é moda. Porque soa falso. Esse termo, responsabilidade social, é sério demais para ser tratado como modismo. Se é uma questão de “todo mundo faz, então eu também”, então não é social. É, no máximo, oportunista. E quando a moda passar, vai acabar.
Ninguém precisa de modismos pomposos, de processos complexos, de sistemas controláveis, leis escritas, cartazes na parede e planos complexos para forçar o voluntariado. Só precisamos de coração. O resto é conseqüência.
Luciano Pires é profissional de comunicação, jornalista, escritor, conferencista e cartunista. Atualmente é Diretor de Comunicação Corporativa da Dana. |
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Coração Empresarial
Ano passado, escrevi um artigo em que eu dizia:
“Nas minhas andanças pelos EUA no começo dos anos 90 em toda sala tinha um quadrinho que falava do foco nos funcionários,“o ativo mais importante”, da ética e da responsabilidade social. E também de diversidade ( que é a necessidade de integrar as minorias – negros, asiáticos, latinos, etcetcetc ao mundo dos brancos anglo-saxões).
Fiquei encantado. Puxa, as empresas estão ficando mais humanas, entendendo que todo mundo é igual, que as diferenças de sexo, raça ou credo não tornam as pessoas mais ou menos dignas ou humanas. Aí um alto executivo de uma grande empresa, me explicou:
- No futuro, aqui nos EUA, vamos ter muito mais negros, latinos, asiáticos. E essa gente só vai comprar produtos de empresas que empreguem gente igual a eles. E se a gente não começar a integrar essa gente, então no futuro não vamos conseguir vender para eles...
- Ué, mas não é uma questão de valores humanitários, de entender que todos os homens são iguais, de não ter preconceitos?
- Não. É uma questão de lucro.
Aí eu percebi que o lance da responsabilidade social era igual... Percebi a mecânica do gerenciamento com foco nos resultados, que a estas alturas dominava o cenário brasileiro. E mundial. Percebi que as empresas não têm alma. E que muitas pessoas contaminam-se com isso e, em vez de humanizar a empresa, tornam-se máquinas calculadoras frias, focadas em resultados em curto prazo, sem compromisso com valores culturais e morais.
E as empresas, meu caro, são microcosmos que replicam os países...” Pois é. De lá para cá, vejo a questão da responsabilidade social ocupando espaços cada vez maiores na mídia. Que bom! São temas que tem que ser tratados e talvez indiquem um nível de maturidade que coloca as empresas na sua função real, que vai muito além de dar lucro.
Mas...será? Será que essa discussão entrou no sangue e alma das pessoas? Passou a fazer parte dos valores reais – não daqueles escritos naquele papel da parede?
Será que as pessoas sabem do que estão falando? Será que estão sendo profundas? Ou essa é mais uma daquelas discussões superficiais, provocadas mais pelo modismo do que por uma verdadeira intenção humanitária?
Não sei. Me parece que as pessoas ainda confundem filantropia com responsabilidade social. Acham que dando uma esmola aqui, estão cumprindo um papel. E dedicam-se à informatizar a esmola. A elaborar processos e certificações, que dêem “substância” à esmola. E passam a chamá-la, a mesma velha e boa esmola, de responsabilidade social.
Nesse sentido, fico um tanto cauteloso. É boa a discussão, é bom que mais empresas estejam aderindo, é bom que mais esteja sendo feito. Mas é ruim se isso é da boca para fora, se é motivado pela intenção do lucro. Ou se é moda. Porque soa falso. Esse termo, responsabilidade social, é sério demais para ser tratado como modismo. Se é uma questão de “todo mundo faz, então eu também”, então não é social. É, no máximo, oportunista. E quando a moda passar, vai acabar.
Ninguém precisa de modismos pomposos, de processos complexos, de sistemas controláveis, leis escritas, cartazes na parede e planos complexos para forçar o voluntariado. Só precisamos de coração. O resto é conseqüência.
,Ano passado, escrevi um artigo em que eu dizia:
“Nas minhas andanças pelos EUA no começo dos anos 90 em toda sala tinha um quadrinho que falava do foco nos funcionários,“o ativo mais importante”, da ética e da responsabilidade social. E também de diversidade ( que é a necessidade de integrar as minorias – negros, asiáticos, latinos, etcetcetc ao mundo dos brancos anglo-saxões).
Fiquei encantado. Puxa, as empresas estão ficando mais humanas, entendendo que todo mundo é igual, que as diferenças de sexo, raça ou credo não tornam as pessoas mais ou menos dignas ou humanas. Aí um alto executivo de uma grande empresa, me explicou:
- No futuro, aqui nos EUA, vamos ter muito mais negros, latinos, asiáticos. E essa gente só vai comprar produtos de empresas que empreguem gente igual a eles. E se a gente não começar a integrar essa gente, então no futuro não vamos conseguir vender para eles...
- Ué, mas não é uma questão de valores humanitários, de entender que todos os homens são iguais, de não ter preconceitos?
- Não. É uma questão de lucro.
Aí eu percebi que o lance da responsabilidade social era igual... Percebi a mecânica do gerenciamento com foco nos resultados, que a estas alturas dominava o cenário brasileiro. E mundial. Percebi que as empresas não têm alma. E que muitas pessoas contaminam-se com isso e, em vez de humanizar a empresa, tornam-se máquinas calculadoras frias, focadas em resultados em curto prazo, sem compromisso com valores culturais e morais.
E as empresas, meu caro, são microcosmos que replicam os países...” Pois é. De lá para cá, vejo a questão da responsabilidade social ocupando espaços cada vez maiores na mídia. Que bom! São temas que tem que ser tratados e talvez indiquem um nível de maturidade que coloca as empresas na sua função real, que vai muito além de dar lucro.
Mas...será? Será que essa discussão entrou no sangue e alma das pessoas? Passou a fazer parte dos valores reais – não daqueles escritos naquele papel da parede?
Será que as pessoas sabem do que estão falando? Será que estão sendo profundas? Ou essa é mais uma daquelas discussões superficiais, provocadas mais pelo modismo do que por uma verdadeira intenção humanitária?
Não sei. Me parece que as pessoas ainda confundem filantropia com responsabilidade social. Acham que dando uma esmola aqui, estão cumprindo um papel. E dedicam-se à informatizar a esmola. A elaborar processos e certificações, que dêem “substância” à esmola. E passam a chamá-la, a mesma velha e boa esmola, de responsabilidade social.
Nesse sentido, fico um tanto cauteloso. É boa a discussão, é bom que mais empresas estejam aderindo, é bom que mais esteja sendo feito. Mas é ruim se isso é da boca para fora, se é motivado pela intenção do lucro. Ou se é moda. Porque soa falso. Esse termo, responsabilidade social, é sério demais para ser tratado como modismo. Se é uma questão de “todo mundo faz, então eu também”, então não é social. É, no máximo, oportunista. E quando a moda passar, vai acabar.
Ninguém precisa de modismos pomposos, de processos complexos, de sistemas controláveis, leis escritas, cartazes na parede e planos complexos para forçar o voluntariado. Só precisamos de coração. O resto é conseqüência.
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