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Você sabe o que é risco?
"Pai, vem correndo! Eu consegui derrotar a nave da tartaruga!".
Fico paralisado por alguns segundos tentando entender a estranha mensagem e então me dou conta: É o vídeogame! Meu filho de 5 anos está aprendendo a jogar videogame. É contagiante sua empolgação por ter superado um desafio que o incomodava há dias. Eu nunca fui muito fâ deste tipo de entretenimento, mas devo confessar que, forçado pelas circunstâncias que exigem o papel de pai e companheiro, fui obrigado a aprender e acabei gostando e entendendo porquê acabamos ficando viciados no jogo. "Mais um minuto!", respondo à minha esposa que insiste que eu interrompa a brincadeira para almoçarmos juntos logo no momento em que vou conseguir finalmente passar de fase.
O empreendedor é às vezes tachado com o rótulo de "jogador". Expressões como: "apostar todas as fichas", "ou tudo ou nada", "tomador de riscos", usualmente aplicados ao perfil empreendedor, só ajudam a reforçar esta imagem. Entretanto, acredito que o lado de jogador que melhor o qualifica é esta paixão pelas pequenas vitórias, pequenas conquistas que vão levando-o ao topo. A cada mudança de fase, o empreendedor, tanto quanto o meu filho, se empolga, vibra, fica entusiasmado, não quer parar, fica curioso para saber qual é o próximo desafio.
É um erro achar que o empreendedor aceita e busca o risco. O empreendedor não é um aventureiro. Ele nem sempre assume riscos, ele sabe ponderar todos os prós e contras e mesmo assim, quando assume o risco, faz o que pode para minimizá-lo. Todos nós assumimos algum tipo de risco: Dormir é arriscado, comer é arriscado, andar é arriscado, mas não tanto quanto saltar de paraquedas, atravessar correndo uma estrada movimentada ou chutar um cachorro. Assim, o primeiro elemento da análise de riscos é a ameaça. Ameaça é aquilo que gera o risco. Andar é arriscado porque podemos ser atropelados, assaltados, levar um tiro, etc. Estas são as ameaças. Quanto mais ameaças, maior é o risco.
Probabilidade, o segundo elemento, é a chance de alguma ameaça se concretizar. Por exemplo: Quais são as chances de um cofre cair sobre sua cabeça na praia? Mínimas, quase nulas. Por outro lado, qual é a probabilidade de encontrar água mineral numa loja de conveniência? Altíssima, com certeza. O terceiro elemento da análise de riscos é o impacto: a medida de dano que o risco pode causar à pessoa ou objeto em discussão. Assim, o dano de um cofre sobre sua cabeça é a própria vida. Já o fato de não encontrar água numa loja representa um pequeno impacto para sua vida.
Quanto maior estes dois elementos, maior é o risco. Veja o seu negócio. Analise o risco de um fornecedor quebrar. Qual é o impacto? Que prejuízo representa para o seu produto? E a probabilidade? Como está sua situação financeira, sua credibilidade? Use os mesmos critérios para analisar outros riscos ao negócio: Qual o risco de perder um cliente? Qual o risco de formar uma parceria? Qual o risco de exportar o seu produto?
O quarto elemento que costumo citar no estudo de riscos é a incerteza. Muitas vezes você não pode determinar o risco pela falta de informações. É difícil determinar o peso de uma ameaça em termos de impacto e probabilidade se você não tiver dados suficientes para analisar. A incerteza pode ser atribuída a diversas causas além da falta de informações: Excesso de informações, informações de veracidade duvidosa, fontes sem credibilidade, dados contraditórios, excesso ou falta de racionalidade, excesso ou falta de influência emocional, entre outros fatores.
O último elemento relevante da análise de risco é a ação alternativa, ou seja, o que se faz para eliminar ou minimizar o risco. Muitas vezes, o custo para implementar uma ação neste sentido é maior do que correr o próprio risco. É possível, por exemplo, construir uma casa totalmente livre de risco de desabamento? Sim, muita coisa já é feita neste sentido, sobretudo se houver um bom investimento num bom projeto estrutural. Mas a como garantir 100% da qualidade da matéria prima? Como evitar inundações, terremotos e outras intempéries da natureza de baixa probabilidade? Pois esta análise só pode ser feita quando há um bom balizamento entre a proporcionalidade do risco e da ação de prevenção correspondente, um tipo de análise custo/benefício.
"Não vá por aí", aconselho a meu filho, "Você só tem mais uma vida e não sabe o que vai encontrar pela frente!". Ele vacila um pouco, olha bem para mim e responde: "Tudo bem, se eu morrer eu começo de novo!" e prossegue adiante no jogo. Muitas ameaças, alta probabilidade, alta incerteza, mas impacto zero, porque ir pelo lado conhecido? Vamos nos arriscar...
Marcos Hashimoto é sócio-diretor da Lebre Consulting, Mestre em Administração pela EAESP/FGV), tecnólogo em Processamento de Dados pela Universidade Mackenzie, e pós-graduado em Planejamento Empresarial pela Univ. São Judas Tadeu. |
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Você sabe o que é risco?
"Pai, vem correndo! Eu consegui derrotar a nave da tartaruga!".
Fico paralisado por alguns segundos tentando entender a estranha mensagem e então me dou conta: É o vídeogame! Meu filho de 5 anos está aprendendo a jogar videogame. É contagiante sua empolgação por ter superado um desafio que o incomodava há dias. Eu nunca fui muito fâ deste tipo de entretenimento, mas devo confessar que, forçado pelas circunstâncias que exigem o papel de pai e companheiro, fui obrigado a aprender e acabei gostando e entendendo porquê acabamos ficando viciados no jogo. "Mais um minuto!", respondo à minha esposa que insiste que eu interrompa a brincadeira para almoçarmos juntos logo no momento em que vou conseguir finalmente passar de fase.
O empreendedor é às vezes tachado com o rótulo de "jogador". Expressões como: "apostar todas as fichas", "ou tudo ou nada", "tomador de riscos", usualmente aplicados ao perfil empreendedor, só ajudam a reforçar esta imagem. Entretanto, acredito que o lado de jogador que melhor o qualifica é esta paixão pelas pequenas vitórias, pequenas conquistas que vão levando-o ao topo. A cada mudança de fase, o empreendedor, tanto quanto o meu filho, se empolga, vibra, fica entusiasmado, não quer parar, fica curioso para saber qual é o próximo desafio.
É um erro achar que o empreendedor aceita e busca o risco. O empreendedor não é um aventureiro. Ele nem sempre assume riscos, ele sabe ponderar todos os prós e contras e mesmo assim, quando assume o risco, faz o que pode para minimizá-lo. Todos nós assumimos algum tipo de risco: Dormir é arriscado, comer é arriscado, andar é arriscado, mas não tanto quanto saltar de paraquedas, atravessar correndo uma estrada movimentada ou chutar um cachorro. Assim, o primeiro elemento da análise de riscos é a ameaça. Ameaça é aquilo que gera o risco. Andar é arriscado porque podemos ser atropelados, assaltados, levar um tiro, etc. Estas são as ameaças. Quanto mais ameaças, maior é o risco.
Probabilidade, o segundo elemento, é a chance de alguma ameaça se concretizar. Por exemplo: Quais são as chances de um cofre cair sobre sua cabeça na praia? Mínimas, quase nulas. Por outro lado, qual é a probabilidade de encontrar água mineral numa loja de conveniência? Altíssima, com certeza. O terceiro elemento da análise de riscos é o impacto: a medida de dano que o risco pode causar à pessoa ou objeto em discussão. Assim, o dano de um cofre sobre sua cabeça é a própria vida. Já o fato de não encontrar água numa loja representa um pequeno impacto para sua vida.
Quanto maior estes dois elementos, maior é o risco. Veja o seu negócio. Analise o risco de um fornecedor quebrar. Qual é o impacto? Que prejuízo representa para o seu produto? E a probabilidade? Como está sua situação financeira, sua credibilidade? Use os mesmos critérios para analisar outros riscos ao negócio: Qual o risco de perder um cliente? Qual o risco de formar uma parceria? Qual o risco de exportar o seu produto?
O quarto elemento que costumo citar no estudo de riscos é a incerteza. Muitas vezes você não pode determinar o risco pela falta de informações. É difícil determinar o peso de uma ameaça em termos de impacto e probabilidade se você não tiver dados suficientes para analisar. A incerteza pode ser atribuída a diversas causas além da falta de informações: Excesso de informações, informações de veracidade duvidosa, fontes sem credibilidade, dados contraditórios, excesso ou falta de racionalidade, excesso ou falta de influência emocional, entre outros fatores.
O último elemento relevante da análise de risco é a ação alternativa, ou seja, o que se faz para eliminar ou minimizar o risco. Muitas vezes, o custo para implementar uma ação neste sentido é maior do que correr o próprio risco. É possível, por exemplo, construir uma casa totalmente livre de risco de desabamento? Sim, muita coisa já é feita neste sentido, sobretudo se houver um bom investimento num bom projeto estrutural. Mas a como garantir 100% da qualidade da matéria prima? Como evitar inundações, terremotos e outras intempéries da natureza de baixa probabilidade? Pois esta análise só pode ser feita quando há um bom balizamento entre a proporcionalidade do risco e da ação de prevenção correspondente, um tipo de análise custo/benefício.
"Não vá por aí", aconselho a meu filho, "Você só tem mais uma vida e não sabe o que vai encontrar pela frente!". Ele vacila um pouco, olha bem para mim e responde: "Tudo bem, se eu morrer eu começo de novo!" e prossegue adiante no jogo. Muitas ameaças, alta probabilidade, alta incerteza, mas impacto zero, porque ir pelo lado conhecido? Vamos nos arriscar...
Marcos Hashimoto é sócio-diretor da Lebre Consulting, Mestre em Administração pela EAESP/FGV), tecnólogo em Processamento de Dados pela Universidade Mackenzie, e pós-graduado em Planejamento Empresarial pela Univ. São Judas Tadeu. |
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